Não esqueça de sua sacolinha

Por Denis Gerson Simões, de Munique – Alemanha.

Você está na fila do supermercado, traz no carrinho vários produtos. Tudo parece normal. Depois de passar pelo caixa e pagar a conta você sente falta de uma coisa: a sacolinha plástica. Onde colocar as compras? Se estiver no Brasil muito provavelmente a questão se resolva pedindo aos funcionários do estabelecimento mais sacolas; se estiver na Alemanha (ou em outras localidades da Europa) a solução será comprá-las. Sim, isso mesmo, pagar pela unidade delas. A partir deste momento virá a sua mente: “não esquecer, da próxima vez, a sacolinha”.

A Alemanha foi utilizada como exemplo nesta introdução, contudo essa postura de conter a disseminação de sacolas plásticas faz parte de ações ecologicamente corretas presentes em muitos locais do mundo, inclusive no Brasil – como no Rio de Janeiro. No mesmo caminho está a proibição da distribuição de canudos plásticos em estabelecimentos comerciais e o recolhimento das garrafas pet por parte dos fabricantes de bebidas: se quer conter o descarte indevido de material poluente na natureza.

Mesmo com medidas já em andamento neste contexto, no Brasil há uma resistência por parte do comércio em aderir à eliminação dessas sacolas, principalmente pelo suposto risco de inibir a venda de produtos: sem ter como carregá-los, o consumidor poderá questionar a necessidade real da compra e desistir de o fazê-la. Por outro lado, a população – desabituada a trazer de casa uma bolsa para este fim – também é resistente à ideia, justificando que reutilizará essas embalagens para condicionar posteriormente lixo doméstico. Independente do motivo, distribuir livremente material plástico descartável sem uma política pública coerente é agravar o já complexo quadro de desgaste do Meio Ambiente. É uma questão que necessita de conscientização.

A situação é complexa de ser resolvida, mesmo que a solução pareça simples. Algumas redes supermercadistas brasileiras optaram por sugerir o uso de bolsas reutilizáveis – vendidas por eles a preços módicos – esperando uma mudança de comportamento espontânea por parte do consumidor, contudo isso acabou virando jogada de marketing ao invés de surtir algum efeito prático. A retirada da distribuição gratuita dessas sacolas poluentes é uma medida que visa que esse tipo de plástico não pare em locais públicos e na natureza.

Por fim, a medida para ter aplicação prática dependerá do Estado brasileiro em cooperação com a Sociedade Civil Organizada, já que o mercado neste quesito não encara a questão como problema seu. O exemplo europeu mostra que o caminho é árduo no início, leva certo tempo para mostrar resultados, entretanto depois se mostra profícuo. Levar sua sacolinha junto ao trabalho, à universidade ou direto ao supermercado é pensar no bem maior, pondo em segundo plano a praticidade momentânea. É o primeiro passo, sim, e importante; depois as demais medidas de reciclagem dos detritos urbanos e industriais precisam ser aplicadas. Se trata de um processo educativo que necessita de tempo. Não esqueça, na viagem ou na sua cidade, de levar a sacolinha.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar as seguintes tags HTML e atributos:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>