Schäfflertanz destaca uma história de mais de 500 anos

Por Lise Leitzke

Você já ouviu falar do Glockenspiel – carrilhão – da prefeitura de Munique? Quem já esteve na Marienplatz, bem no coração da cidade, pode olhar para cima e ver esse belo espetáculo artístico, o qual toca ao menos duas vezes ao dia, em horários específicos. Porém, o que isso tem a ver com o Schäfflertanz? O conjunto de bonecos que forma os dançarinos na torre da Praça da Maria tem na sua parte inferior as figuras dos Schäffler. E o que se esconde por trás dessa dança que tem mais de 500 anos?

Parte superior da prefeitura de Munique, onde estão os bonecos que representam a Schäfflertanz. Foto: Denis Gerson Simões.

Pelos idos do final da Idade Média e início da Idade Moderna, Munique foi assolada em diversos momentos por surtos de peste – a Peste Negra. Entre 1463 e 1643 as epidemias tiraram a vida de milhares de pessoas. A morte se espalhou pelas vielas e os moradores ficaram com medo de sair de casa, já que nem medidas de saneamento, nem a medicina da época, puderam evitar o alastrar da doença.

Em 1517 mais uma vez a peste semeou seu conhecido terror por Munique. Os cidadãos não saíam de suas casas, nem abriam suas janelas, muito menos os camponeses tinham coragem de se aventurar a abrir as suas bancas para vender mantimentos. Sendo assim, tudo faltava, inclusive vontade de seguir em frente. O cenário não se mostrava nada bom.
Um morador que pertencia à corporação de artesões que fabricavam barris teve a ideia de juntar seus colegas para tocar e dançar pelas ruelas, animando a população a sair de suas casas. Portanto, com a ajuda dos açougueiros, os Fassmacher – construtores de barris – motivaram as pessoas a se permitir viver de novo.

Apresentação da Schäfflertanz em janeiro de 2019 no bairro Blumenau, em Munique.

Assim, desde 1517 os dançarinos – só homens, já que, penso eu, não havia mulheres participando da guilda na época – nos deleitam a cada se-te anos com sua arte. A nota escrita mais antiga que se tem deles data de 1702, quando pediram autorização por escrito – necessária até hoje – para o magistrado local permitir que eles revivessem essa tradição.

Eu tive a oportunidade de ver o Glockenspiel na prefeitura nova de Munique e logo depois o tradicional “Original Münchner Schäfflertanz”, quando este completou seus 500 anos, em 2017. Em seu rápido dis-curso o prefeito anunciou a apresentação e o Münchner Kindl – personagem símbolo da cidade – contou sobre a história desse patrimônio cultural.
Agora em 2019 a tradição se repetiu, mantendo os ciclos de 7 anos. Interessado em saber mais, acessem o site oficial do Schäfflertanz:
http://www.schaefflertanz.com

A coreografia

A Schäfflertanz tem em suas figuras principais 20 homens. Todavia, há outros participantes que ingressam no decorrer da coreografia, como o Münchner Kindl – monge que simboliza a cidade de Munique – e personagens de humor, como bobos da corte, que interagem com o público e auxiliam na dinâmica da apresentação – colocando e retirando arcos, por exemplo.

Ela segue alguns padrões de danças de arcos – Bogentänze, como na Reifentanz, Sterntanz e Kronentanz. No seu decorrer a sincronia dos Schäffler é fundamental, por isso dois dos dançarinos marcam o início e o fim de cada etapa com suas bandeirinhas. Estão entre as figuras o ninho, a coroa e o caracol. Há também elementos peculiares, como belas estruturas em linhas e círculos, além da formação de moinhos, trançados e corrente. O passo – uma espécie de marcha misturada com Wechselschritt – caracteriza toda a sequência, unindo aspectos solenes e alegres – pois previa animar a população. O barril, elemento emblemático dessa história, aparece no transcurso da Schäffletanz, já que de seus artesãos veio essa tradição.

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