Palácios de Ludwig II e o imaginário sobre os contos de fadas na Alemanha

Desde a tenra idade as pessoas ouvem contos de fadas. São parte dessas histórias o tradicional “Era uma vez”, seguidos de castelos com princesas, príncipes e monstros. Devido a isso, não é de se estranhar que essas edificações – os castelos e palácios – façam tanto efeito no imaginário da sociedade, atraindo turistas do mundo todo para vê-los.

Pátio interno do Castelo / Palácio de Neuschwanstein, em Füssen. Inverno de 2016. Foto: Denis Simões.

Na Alemanha, assim como em outros destinos da Europa, existe um conjunto grande dessas verdadeiras obras de arte da engenharia, alguns que surgiram na Idade Média – com função de proteção -, outros bastante recentes, que não completaram ainda 150 anos. Impressionam pela tamanho e estéticas pouco funcionais para a atualidade: grandes muros, jardins vastos, portões altos, representações da vida cortesã e muitas obras de arte. Grande parte desses espaços acabou se transformando em museus ou áreas culturais, sendo ponto de atratividade para turistas.

Castelo/Palácio de Neuschwanstein em reforma, no inverno de 2017. Foto: Denis Simões.

Na Baviera o palácio mais famoso, que atrai viajantes do mundo todo, é o Neuschwanstein (o Novo Cisne de Pedra). É popularmente considerado um castelo, pois seu modelo foi inspirado em fortificações da Idade Média, retomando histórias cavalheirescas, quando os nobres viviam em espaços fortificados para sua proteção, em função das guerras. Contudo, ele é um prédio relativamente novo: sua construção iniciou em 1869 e nunca foi terminado. Seu idealizador foi o rei da Baviera Ludwig II, que ficou posteriormente conhecido como o “Rei dos Contos de Fadas”. Nesta bela obra o conjunto de torres chama a atenção, assim como os muitos afrescos e peças artísticas. Teria ficado conhecido mundialmente por inspirar o palácio da Cinderela, no desenho da Disney – que posteriormente foi construído dentro dos seus parques temáticos, com destaque ao Magic Kingdom Park, nos EUA.

Visão dos fundos do Castelo / Palácio de Neuschwanstein, em Füssen, Baviera. Inverno de 2017. Foto: Denis Simões.

Outro local de encanto é o palácio de Herrenchiemsee, mais uma obra do rei Ludwig II. Sua estrutura justifica o apelido de Pequena Versailles, já que claramente se reporta à estética da realeza francesa, admirados pelo monarca bávaro. O luxo e pompa marcam suas instalações, que custaram uma pequena fortuna aos cofres públicos da Baviera, inclusive sendo mais caro que as edificações do Neuschwanstein e do Linderhof juntas. Dentro do prédio além de muitos espelhos de cristal há peças em ouro, luminárias de porcelana, móveis especialmente desenhados para o König, assim como inúmeras obras de arte. Está localizado na Herreninsel, uma ilha no Chiemsee – um dos lagos mais conhecidos da Baviera.

Parte da frente do Palácio Herrenchiemsee. Verão de 2016. Foto: Denis Simões.
Detalhe do Palácio Herrenchiemsee, no Verão de 2016. Foto: Denis Simões

Outra obra do Ludwig II, mas de menos apelo turístico, é o palácio
Linderhof . Menor que a estrutura de seus edifícios irmãos, ele também tem inspirações em Versailles e é o único dos três que foi concluído plenamente. No seu conjunto estão jardins e prédios menores, propiciando uma residência de verão agradável ao monarca. Um de seus destaques é o chafariz, que o jato d’água alcança quase 25 metros de altura. A Gruta de Vênus mostra o gosto do Rei pelo exótico e inusitado, trazendo inovações na estrutura e iluminação.

Palácio de Linderhof, o menor mas o único finalizado no reinado de Ludwig II. Verão de 2018. Foto: Denis Simões.

Os três palácios, se visto o conjunto do patrimônio histórico material alemão, são pouco; contudo, tem visibilidade mundial devido à conexão com o imaginário cavalheiresco, que estava em moda no século XIX e ainda hoje mexe com o cidadão do mundo digital. A influência romântica, as referências aos contos de fada e narrativas de aventuras agregaram valor simbólico ao sonho arquitetônico de Ludwig II. De figura execrada em seu tempo – por quebrar os cofres públicos da Baviera – o rei transformou-se em Pop Star na contemporaneidade, digno de estampar cartões postais, souvenires e ser tema de musical, afastando-o da figura de louco.


Jardim lateral do Palácio de Linderhof. Verão de 2018. Foto: Denis Simões.

Em breve teremos no Der Hut mais informações sobre esses palácios e como fazer para visitá-los.

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