Quando a neve deixa de ser neve… vira algo não tão romântico

Geralmente as pessoas que visitam o inverno europeu esperam ver neve, espaços gelados e muitos floquinhos caindo lentamente. Fica tudo muito bonito, em um mundo “branco”. Contudo, elas não imaginam o que vem depois. Sim, hoje o Der Hut traz o “pós neve”: quando as ruas, calçadas, pátios e áreas abertas recebem a água que descongelou.

A motoniveladora junta a neve, mas seu derretimento depois é inevitável.

Diz a Elisangela Leitzke que melhor do que chuva é a neve, “pois é possível sair na rua sem se molhar”. Não discordo, pois no frio a água gelada no corpo é bem desagradável, além de propiciar uma boa gripe. Por outro lado, o ambiente molhado por causa do degelo gera um efeito posterior, que é uma espécie de barro semi-congelado, que dificulta o tráfego nas vias e deixa a paisagem com aparência de suja. É como se pudesse guardar todo o líquido de uma chuvarada dentro de uma esponja e ir liberando a água aos poucos em um mesmo local.

Em alguns locais é difícil atravessar a rua sem molhar os calçados ou ganhar um belo escorregão.

Mas não fique desesperançoso. Não poderia ser diferente. Sendo a neve em grande parte da Europa um fenômeno cíclico, é fundamental que ela derreta para que a terra receba os nutrientes da água e para que as plantas possam sobreviver, mesmo em momentos de muito frio. Após todo um período ela retornará. A grande questão é que essa paisagem perde o romantismo, pelo menos para muitos que a observavam.

Nos ambientes urbanos o gelo derretido acaba sendo somado à fuligem, lixo jogado no chão e terra das praças e canteiros. O resultado é uma espécie de barro gelado, de cor acinzentada, que pouca alegria dá aos cidadãos, molha os calçados e que precisa ser recolhido pela limpeza urbana de tempo em tempo. De toda forma, para os munícipes é o resultado normal do transcorrer do ano, dando sinais que o calorzinho, mesmo que brando e breve, está chegando.

É um processo natural, repleto de diálogos com a natureza, mostrando a realidade de muitas formas – não somente a presente em cartões postais. O que não se pode admirar com os olhos em curto prazo é como a vida renasce a partir dessa passagem de fases. É esperar para que o verde retorne e o colorido também encante quem passa.

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