Comer Weißwurst no local de origem acompanhado de Brezel

Uma tradição da gastronomia bávara que tem até mesmo horário certo para degustar. Conheça a salsicha branca com rosquilha de pão salgado.

Por Elisangela Leitzke.

Sempre que se descobre um local novo e bom, vale indicar para os amigos e conhecidos. Em janeiro Camila, Denis e eu combinamos de encontrar um casal de amigos de longa data para tomarmos um café num sábado no Marienplatz.

Nós cinco, brasileiros, fomos parar no Wildmosers RestaurantCafe am Marienplatz na praça principal de Munique. O lugar nos encantou com o seu charme um tanto rústico – até lareira tinha. A garçonete não era a pessoa mais simpática do mundo, mas a comida e o café estavam muito saborosos.

Vou me ater à Weißwurst hoje, porque segundo a lenda o restaurante é o local de origem dessa iguaria tão muniquense que normalmente vem acompanhada de Brezel e, de acordo com a tradição, deve ser degustada somente na parte da manhã.

Os turistas desavisados podem comer a Weißwurst – em português linguiça branca – de modo errado. Não se come a capa que a envolve, a não ser que ela seja extremamente fresca. O ideal é pegá-la na mão e sugar o recheio. Outra opção é cortar levemente a capa protetora por cima – longitudinalmente – e descascá-la, por assim dizer. Porém, neste caso, não pode tirar nacos nem da carne, nem do intestino. Para saber se você fez certo ao descascar, você terá de ter tanto a linguiça inteira, como a pele também, exceto pelo primeiro e único corte.

Qual a lenda por trás dessa iguaria? Dizem que no dia 22 de fevereiro de 1857 os conselheiros da cidade foram tomar uma cerveja no local chamado Zum Ewigen Licht ainda na parte da manhã. Como estavam com muito apetite e os pratos que normalmente eram servidos tinham acabado, o açougueiro resolveu improvisar porque na segunda-feira de carnaval não haveria como conseguir intestinos de animais que pudesse preencher para servir as conhecidas linguiças. Josef Moser teve a ideia de usar o que estava à mão e preencheu os intestinos disponíveis, porém, ao invés de fritar, ele cozinhou as linguiças em água fervente e as serviu nas terrinas ainda quentes.

Os conselheiros gostaram da criação. Obviamente o açougueiro temperou um pouco mais a sua nova iguaria com casca de limão e salsa entre outros e não demorou muito para fazer um estrondoso sucesso. 160 anos depois essa é a especialidade de Munique.

Para quem gosta de experimentar pratos diferentes, eu recomendo provar: Weißwurst mit einem Weißbier, Brez’n und süßem Senf. Traduzindo: linguiça branca regada a cerveja de trigo e pretzel com mostarda para combinar.

Foto: A salsicha branca e a rosquilha de pão em frente à prefeitura de Munique: uma tradição que ultrapassa o tempo. Foto: Denis Gerson Simões.

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